Método R.I.C.E: Repouso, Gelo, Compressão, Elevação

Postado por julianafernandes 12/06/2018 0 Comentários Saúde,

Método RICE  

 

O método R.I.C.E (repouso, gelo, compressão, elevação) é um dos tratamentos terapêuticos de primeiros socorros mais recomendado para lesões musculoesqueléticas agudas, como entorses e distensões. É um método comum, usado no tratamento de lesões e é usado, principalmente, para ajudar a reduzir a inflamação e o inchaço, reduzir o tempo de recuperação e proporcionar alívio básico da dor.  Pode ser aplicado em muitas lesões, principalmente na recuperação da zona do tornozelo, no âmbito desportivo. Deve ser administrado o mais rapidamente possível após a lesão. Isso resultará em diminuição da dor, inflamação, espasmos musculares, inchaço e dano tecidual.

A terapia pode ser realizada em conjunto, separadamente ou em qualquer combinação de componentes dos quatro elementos da técnica. É um dos métodos mais usados na fisioterapia dada a sua fácil aplicação, já que se pode realizar com poucos materiais e em praticamente qualquer lugar. A sua aplicação apenas inclui quatro passos.

É um método já muito antigo, todavia alguns consideram-no já obsoleto. Qual a sua opinião e evidências da aplicação deste método?

 

 

 

1. Rest / Descanso:

 

  

É importante, após uma lesão aguda, descansar a área afetada para protegê-la de novas lesões. A área deve ser protegida de carga excessivo, mas não deve ser completamente inativa. A inatividade completa resultará em decréscimos excessivos na força e mobilidade dos tecidos moles afetados e promoverá o aumento do inchaço. A carga deve estar dentro da capacidade do tecido afetado, quando a carga é maior que a capacidade, pode causar mais danos ou afetar negativamente a recuperação do tecido afetado. É importante determinar a quantidade adequada de stress que os tecidos podem manipular, a fim de promover uma recuperação mais rápida.

 

2.  Ice / Gelo:

                                          

                                                                                        

A terapia do gelo, também conhecida como crioterapia, é a aplicação do frio como modalidade terapêutica. O frio estimula a vasoconstrição dos vasos sanguíneos na área a ser tratada. Isto reduz o inchaço e a inflamação, limitando a quantidade de líquido capaz de perfundir no tecido mole, nas imediações da lesão. Também adormece a área afetada, diminuindo a propagação de estímulos neurais nociceptivos no cérebro, para reduzir a dor e os espasmos musculares.

 

Conselhos de aplicação:

O ideal é usar um saco de gelo, mas qualquer coisa gelada pode ser útil como por exemplo um saco de ervilhas congelhadas. O gelo deve ser envolvido em uma toalha ou pano húmido para evitar danos superficiais nos nervos ou na pele, causados ​​pela exposição excessiva ao gelo.

Deve aplicar-se o gelo por 15 a 20 minutos a cada duas horas nas primeiras 48 horas após a lesão. O tempo máximo de aplicação de gelo é de 20 minutos, pois mais do que isso pode causar lesões na pele e nos tecidos mais superficiais.  Hoje em dia, está indicado aplicar o gelo por 8 minutos, descansar 3 minutos e voltar a aplicar mais 8 minutos.

 

Cuidados adicionais:

Deve ter-se cuidado ao usar a crioterapia em pessoas hipersensíveis ao frio, nomeadamente com pessoas com síndrome de Raynaud, diabetes, urticária ao frio, hemoglobulinúria fria paroxística ou insuficiência circulatória.

 

Existem aspetos positivos e negativos associados à crioterapia:


Efeitos negativos

- Diminuição do metabolismo local.

- Baixa atividade enzimática.

- Menor consumo de oxigênio, importante para a regeneração tecidular.

- Flexibilidade reduzida porque o frio proporciona rigidez e elasticidade reduzida do tecido conjuntivo dos músculos.

 

Efeitos positivos

- Diminui a quantidade de sangramento por vasoconstrição no local da lesão e diminui o inchaço, porque o frio diminui a quantidade de sangue que chega na área lesionada.

- Reduz a dor.

- Reduz o espasmo muscular.

 

Nos estágios agudos da lesão, os efeitos positivos da crioterapia superam os efeitos negativos e permitem controlar a reação inflamatória. Não se deve prolongar a crioterapia excessivamente, de modo que os aspectos negativos da crioterapia não impeçam a recuperação do tecido.

Há produtos que não substituem o gelo na fase aguda da lesão, mas podem ser usados posteriormente durante a recuperação. Como por exemplo, os spray de frios, ou os géis de frio como o biofreese, polar frost, fisiocrem.

 

Gelo VS Calor

O gelo deve ser usado inicialmente para minimizar a reação inflamatória após lesão aguda. Após 72 horas, a reação inflamatória química inicial diminuirá e os efeitos do calor serão mais benéficos do que os efeitos do gelo. Pode usar-se sob a forma de spray, bálsamo ou de compressa. O calor irá resultar em aumento da circulação, relaxa a tensão muscular e reduz a rigidez articular. Além disso, também ajudará a preparar tecidos para reabilitação.

 

 

3. Compression / Compressão:

 

 

A compressão da área lesada ajuda a imobilizar e proteger a articulação. Além disso, ajuda a reduzir o inchaço na área, aumentando a pressão dentro dos tecidos, o que conduz a uma diminuição da perfusão do tecido mole, o que ajuda a evitar o inchaço excessivo. Ligaduras ou cintas podem ser usados ​​como dispositivos de compressão, existem vários tipos de ligaduras:  ligaduras elásticas não adesivas, ligaduras de fixação elástica coesiva, compressivas adesivas, crepe não adesiva.


Nota importante: Quando a compressão é excessivamente apertada, ela pode dificultar a circulação sanguínea e pode causar dor, diminuição do fluxo sanguíneo e / ou sinais e sintomas neurológicos para o tecido comprimido ou tecidos distais a ele. Por estes motivos deve evitar-se o garroteamento do membro.

 

 

 

 4. Elevation / Elevação:

 

 

A área lesada deve imediatamente ser levantada, de preferência a um nível acima do coração, para permitir que a gravidade drene o excesso de fluido ao redor do tecido lesionado de volta para a circulação central O resultado é a diminuição do inchaço. À medida que a pressão na área lesionada é reduzida, há uma redução da dor e são transportados produtos residuais celulares para o coração. Esta técnica ajuda a recuperar o tecido, restabelecendo a homeostase celular e extracelular.

 

Conselhos importantes:

 

  • Depois de 48 horas de utilização deste método, ocorre o início da recuperação da lesão. Se após este período não houver melhoria da dor e do edema, é aconselhável contatar um médico.
     
  • No período de recuperação, as massagens suaves, com um óleo de massagem ou com um creme de massagem efeito de calor, podem acelerar a formação de tecidos cicatriciais, diminuir o tempo de recuperação e reduzir a ocorrência de lesões recorrentes.
     
  • Outra ação que poderá acelerar o processo de recuperação da lesão, consiste em fazer alongamentos leves, assim que não houver mais edema. Sem exageros. A pessoa não pode sentir dor enquanto alonga, para evitar o risco de reiniciar a lesão.
  • Após a fase aguda e na ausência de edema ou ferida com sangramento, o calor pode ser usado para aumentar a circulação sanguínea no local e ajudar a cicatrização.

 

Complemente a leitura deste post com a visualização dos vídeos seguintes:

Método RICE: https://www.youtube.com/watch?v=o40cZt9bcWg

Indicação no uso de gelo: https://www.youtube.com/watch?v=sLQbQUA2vs4

 

Às vezes, são usadas variações do acrónimo RICE para enfatizar etapas adicionais que devem ser tomadas. Essas incluem:

  • "HI-RICE" Hydration, Ibuprofen, Rest, Ice, Compression, and Elevation
     
  • "PRICE" – Protection, Rest, Ice, Compression, and Elevation
     
  • "PRICE" – Pulse (Typically Radial or Distal), Rest, Ice, Compression, and Elevation
     
  • "PRICES" – Protection, Rest, Ice, Compression, Elevation, and Support
     
  • "PRINCE" – Protection, Rest, Ice, NSAIDs, Compression, and Elevation
     
  • "RICER" – Rest, Ice, Compression, Elevation, and Referral
     
  • "DRICE" – Diagnosis, Rest, Ice, Compression, and Elevation
     
  • POLICE" – Protection, Optimal Loading, Ice, Compression, and Elevation

 

 

Catarina Vilela (enfermeira)

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