Assassinos dos Oceanos: Os Plásticos

Postado por cristinavilela 15/03/2018 0 Comentários

O que sente quando olha para as seguintes imagens?

 

 

 

 

 

Se não conhece as famosas fotografias, de Chris Jordan, a aves mortas com os papos cheios de lixo de plásticos provenientes do oceano, pesquise na internet.  

Veja o vídeo. O que sentiu?

 

Essas fotografias fazem parte de um projeto do fotógrafo Chris Jordan, iniciado em 2009 que, de uma forma assombrosamente impressionante, nos mostra o que acontece nas entranhas das aves que ingerem os plásticos dispersos pelos oceanos. Chris Jordan transporta, da objectiva da sua máquina fotográfica para o  mundo, a forma como o plástico afeta as populações de albatrozes do atol Midway, três ilhas remotas no meio do Oceano Pacífico norte. As aves confundem os plásticos que se acumulam nas margens das ilhas e ingerem-nos.

 

Os pássaros morrem porque os detritos perfuram os estômagos ou definham de fome com barrigas cheias de nenhum nutriente… Por outro lado, os plásticos funcionam como uma esponja para toxinas e químicos da poluição marinha, como PCBs [bifenilos policlorados], DDT e metais. Estes poluentes prendem-se às partículas flutuantes de plástico e formam uma pílula altamente tóxica, para os animais marinhos engolirem. Os animais morrem envenenados!

Toda esta situação reflete o resultado assustadoramente emblemático de uma sociedade consumista e com um crescimento industrial desenfreado - escreve Jordan no seu site.

 

As cotonetes, idealizadas por Leo Gersternzang quando observou a sua esposa a limpar, depois do banho, as orelhas da filha usando um palito de madeira com algodão na ponta,  são dos resíduos mais encontrados nos oceanos e nas praias. Se as cotonetes forem eliminadas para as sanitas, as estações de tratamento não têm capacidade para retê-las, já que são demasiado finas e acabam no meio aquático.

Quando usar uma cotonete da Mipmed seja consciente e elimine-a para o contentor amarelo, não a despeje na sanita. Os animais aquáticos merecem!

 

Iniciativas portuguesas de sensibilização para a poluição das praias

 

Existem iniciativas lusas de sensibilização para esta temática como, por exemplo, as campanhas de limpeza de praia organizadas pelo Coastwatch - Geota. Esta prática comum na zona costeira portuguesa, ocorre anualmente.

 

Tendo presente os objectivos da Directiva Quadro Estratégia Marinha (2008/56/EC) (DQEM), o Instituto do Mar (pólo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa [IMAR FCT-UNL]) participou pela primeira vez neste projecto com o intuito de recolher informação acerca do estado da poluição marinha costeira por plásticos. Foi estabelecida uma colaboração com a Câmara Municipal de Alcobaça e escolas desse município (como por exemplo), com o intuito de recolher informação acerca dos detritos plásticos marinhos nesta região. Foram investigadas três praias - Paredes de Vitória, Légua e Gralha quanto ao número e massa (g) de detritos; e quanto à concentração de poluentes orgânicos persistentes (POP em ng g-1) adsorvidos pelas pastilhas de plástico (pellets).

 

A praia de Paredes de Vitória foi aquela que apresentou um maior número de itens recolhidos (5200) e maior massa (886 g) das três praias amostradas. Pellets brancos, envelhecidos e coloridos apresentam maiores valores de tDDT quando comparados com literatura de 2009 e 2012, confirmando a elevada persistência deste pesticida no ambiente.

 

Estudos como este são importantes, não apenas pela recolha de informação do estado de costa que reflecte a realidade do país, mas também pela possibilidade de fomentar uma consciencialização ambiental na sociedade, desde as camadas mais jovens, ao mesmo tempo que contribuem para a Directiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM).

 

De que forma os plásticos poluem os ecossistemas aquáticos

 

Desde o início da década de 1970 detritos plásticos flutuantes foram detectados em todos os oceanos. Têm-se registado um aumento exponencial documentado no início da década de 1990 e nos anos 2000 (Law et al., 2010).

 

Os principais impactes associados à poluição de detritos plásticos em ambientes marinhos são (1) a acumulação de detritos na costa; (2) absorção de partículas e ingestão por organismos marinhos ; (3) emaranhamento de animais marinhos, como peixes, mamíferos, tartarugas e aves e (4) capacidade de adsorção de produtos bioacumuláveis ​​e tóxicos persistentes (PBTC).

 

Os plásticos e os microplásticos (diâmetro <5mm) (Barnes et al., 2009) são amplamente dispersos no oceano pelas correntes oceânicas, devido à sua baixa densidade e capacidade de flutuação (Pichel et al., 2007). A degradação fotoquímica induz a fragmentação plástica em partículas menores que terão os efeitos descritos anteriormente em redes alimentares (Barnes et al., 2009). As variedades de plásticos como os nylons ou o tereftalato de polietileno (PET) tendem a afundar na coluna de água e a atingir o sedimento costeiro (Andrady, 2011).
 

Nas praias, os fragmentos de plástico são derivados (1) de fontes interiores e são transportados para costas por cursos de água, vento, sistemas de drenagem, transbordamentos de esgoto ou atividades humana, ou (2) diretamente dos oceanos onde as variedades flutuantes de baixa densidade se acumulam e são transportadas a grandes distâncias.
 

A área costeira portuguesa é extremamente vulnerável à acumulação de plástico nas praias, não só de fontes terrestres (descargas de rios e concentração de população ao longo da costa), mas também do mar, pois o nosso país é uma rota importante para navios comerciais e navios de cruzeiro (Martins & Sobral, 2011).
 

Com este conjunto de metas em mente, o objetivo deste estudo é realizar a identificação e caracterização de detritos marinhos coletados no âmbito do projeto Coastwatch-Geota nas praias do município de Alcobaça e, ao mesmo tempo, sensibilizar a juventude como forma de mudança sociedade nas próximas décadas. Os dados são integrados no projeto POIZON, que fornece informações relevantes sobre a poluição de detritos plásticos em Portugal, de acordo com o descritor 10 do MSFD - “lixo marinho”.

Catarina Vilela (Docente de Biologia e Geologia)

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